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Clipping - O Globo Niterói - Dados sobre óbitos em Niterói atestam que grupo não vacinado está mais vulnerável à Covid-19

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Em abril, mortes pela doença aumentaram 90% entre pessoas de 40 a 49 anos e 77% na faixa de 30 a 39 anos

 

NITERÓI — O mês de abril, que foi o mais mortal da pandemia em Niterói, com 398 óbitos causados pela Covid-19 registrados nos cartórios da cidade, também foi o que deixou evidente o quanto está cada vez mais vulnerável à doença a população que ainda não foi vacinada. As mortes de pessoas na faixa de 40 a49 anos cresceu 90% em relação à média mensal de toda a crise sanitária. Entre quem tem 30 e 39 anos, o aumento foi de 77%. Nas faixas etárias já vacinadas, o número de óbitos caiu em relação à média, com redução de 15% entre quem tem de 70 a 79 anos, 41% no grupo de 80 a 89 anos e 66% entre a população de 90 a 99 anos.

 

Os dados fazem parte dos registros de nascimentos, casamentos e óbitos realizados pelos cartórios de Niterói, administrados pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil). Pelo levantamento, até março a média de mortes por Covid-19 entre pessoas na faixa etária de 40 a 49 anos era de 7,6 por mês. Em abril, foram registradas 34 mortes neste grupo. Entre quem tem de 30 a 39 anos ,a média mensal estava em 3,7, e foram registrados 18 óbitos no mês passado.

 

Já a faixa etária que vai dos 50 aos 59 anos teve um aumento de 62% no número de óbitos em relação à média mensal registrada desde o início da pandemia. A média era de 17,4, e houve 66 mortes neste grupo em abril. Outra faixa etária que registrou crescimento, mas em menor escala, foi a de pessoas entre 60 e 69 anos, com óbitos aumentando 41% em relação à média desde o começo da pandemia, e passando de 35,2 de média mensal para 115 em abril. Entre quem tem 20 e 29 anos foram registradas três mortes em abril. Até então, a média mensal de óbitos nesse grupo era de 0,75.

 

Imunização surte efeito

 

Entre a população já vacinada, o número de óbitos caiu. O grupo de quem tem entre 70 e79 anos representava 31% das mortes por Covid-19 em março e passou a representar 22% em abril. Entre quem tem 80 e 89 anos, caiu de 17% para 14%. Na população de 90 a 99 anos, a queda foi de 6% para 3%. Para Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o número de mortes teria sido maior entre os idosos se eles não tivessem se vacinado.

 

— A última onda foi tão grande que atingiu as populações mais jovens, que se expõem mais. A população acima de 60 anos foi protegida pela vacinação. Senão, também teríamos esse aumento nessa população — explica.

 

A prefeitura de Niterói vem organizado os grupos para vacinação de acordo com as doses disponibilizadas pelo Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, distribuídas pelo governo do estado. O município assinou um convênio para a aquisição de um milhão de doses da vacina Sputnik V, que ainda aguarda autorização da Anvisa para ser usada no país. O prefeito Axel Grael diz que a irregularidade na chegada de vacinas tem dificultado a execução de um cronograma amplo de imunização. Ele ainda mantém a expectativa da aprovação da vacina russa.

 

— Niterói é uma das cidades que mais vacinaram proporcionalmente: 30% da população está imunizada. As vacinas têm chegado de uma forma muito irregular, com muitas falhas. É difícil manter todo um planejamento, uma logística. Temos planejamento para ampliar a quantidade de locais de vacinação, por exemplo, mas não adianta fazer isso se não chegar uma quantidade maior de vacinas. Temos buscado outras soluções, como a Sputnik, mas depende de quando vai acontecer (a liberação), porque a vacinação está avançando e isso pode ocorrer em um momento em que não seja mais tão necessário. Interessa-nos muito acelerar esse processo — diz.

 

Fonte: O Globo Niterói 

 

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